
AMARGOSA
Originalmente, Amargosa era território da cidade de Tapera, hoje conhecida como Santa Terezinha. Elevada à condição de freguesia e, depois, de vila, foi batizada como Vila de Nossa Senhora do Bom Conselho de Amargosa.
A história de Amargosa é marcada pela presença de diferentes povos e pelas transformações sociais, culturais e econômicas que ocorreram na região. Entre seus primeiros habitantes estão os povos indígenas, especialmente os Kariri-Sapuyá, cuja presença e resistência integram a história e a identidade do município. Destaca-se o protagonismo histórico de Baitinga, importante liderança indígena que lutou pelos direitos de seu povo e pelo território, além de ser lembrado como “herói da Independência”.
Ainda encontramos a marca da ancestralidade indigena na memória coletiva. Na linguagem, com nomenclaturas de origem Tupi como Timbó, Tauá e Itachama. Também em rastros históricos que os mesmos deixaram, como os utensílios (tambor, cachimbo, prato…) encontrados no Tauá e nos desenhos rupestres nas grutas do Morro da Loja e Morro do Jatobá.
A resolução provincial nº 1.726 de 21 de abril de 1877 criou a Vila de Nossa Senhora do Bom Conselho de Amargosa, desmembrando-a de Tapera (atual Santa Terezinha). Amargosa foi elevada de Vila a condição de cidade pelo ato de criação datado de 19 de junho de 1891.
A emancipação política da cidade destaca-se como símbolo de progresso e nascimento de um novo potencial político-econômico no interior da Bahia. Título que chega com os trilhos do Ramal da Estrada de Ferro de Nazareth, consolidando a cidade nas relações comerciais do Recôncavo Baiano. A principal produção da época era o café, sendo quase a totalidade do que era exportado por Nazaré oriundo de Amargosa.
O momento era de transformação na relação de trabalho no Brasil após a abolição do trabalho escravo. Mesmo libertos, buscavam formas de sobreviver, no interior baiano, se direcionava às zonas rurais para trabalho nas fazendas.

Segundo o primeiro Censo do Brasil de 1872, a população da Vila de Nossa Senhora do Bom Conselho de Amargosa, era 80% formada por negros. Em sua maioria concentrados nas extensões rurais em comunidades formadas a partir das relações de solidariedade coletiva, laços familiares e trabalho.
Assim, na então cidade de Amargosa, a mão de obra negra, muitas vezes ainda em regime de trabalho escravo, foi o motor da produção cafeeira. Sendo nesse momento, a maior parte da área pertencente à extensão do município, ocupada por lavouras de café.
Pode-se citar como exemplo a Casa Paris na América, do Sr. Pedro Calmon Freire Bittencourt, que possuía filial em Paris. Consolidando uma articulação comercial entre a França e o município de Amargosa. A relação comercial se materializava através da exportação de produtos agrícolas, por parte dos comerciantes Amargosa, e na França, de economia industrial, comercializava de volta artigos manufaturados. Desta forma, Amargosa desempenhava o papel de fornecedor de produtos agrícolas, e ao mesmo tempo, de mercado consumidor de artigos industrializados como: tecidos finos, perfumaria, móveis de luxo, entre outros artigos sofisticados.
Moinho - Fazenda Floresta Negra

Nesse momento de advento econômico, a cidade passa a receber um fluxo migracional cada vez maior de pessoas vindas da Europa interessadas em se inserir nesse próspero comércio. Elas constituíam dois ramos das elites amargosenses: uma proprietária de terra e outra comercial. Em suma, eram detentores das casas comerciais e fazendas, formavam a elite política local e traziam consigo o ideal de progresso.
Em 1855 foi doada as terras para construção da Capela de Nossa Senhora do Bom Conselho, onde hoje é localizado o cristo redentor no centro da cidade. Em 1942, foi inaugurada a Diocese de Amargosa, construída na praça principal da cidade, intitulada posteriormente como Jardim Lourival Monte, símbolo da modernização da cidade, seguindo os modelos europeus, construída para concentrar os três poderes ao seu redor, a igreja, a câmara e a prefeitura.
Embora a presença da Igreja Católica tenha adquirido grande importância na organização social e cultural de Amargosa, a consolidação de seus valores e práticas religiosas não significou a ausência de outras formas de manifestação da fé e da cultura. Ao longo do século XX, diferentes registros históricos evidenciam a existência de conflitos e práticas de repressão direcionadas àqueles que não se enquadravam nos padrões religiosos predominantes, especialmente praticantes de religiões de matriz africana e pessoas vinculadas a costumes afro-brasileiros. Nesse contexto, a legislação e as ações das instituições públicas também contribuíram para a legitimação e manutenção de determinados padrões religiosos e sociais, favorecendo a predominância da fé católica no espaço público da cidade e, consequentemente, marginalizando outras práticas e manifestações culturais.
No século XX, a cidade de Amargosa viveu um período marcado tanto pelo apogeu quanto pelo declínio de sua importância econômica e urbana. Na primeira metade do século, a cidade passou por significativas transformações que contribuíram para a construção de uma imagem de modernidade e progresso. Como um dos principais centros comerciais da Bahia, Amargosa recebeu o título de “Cidade Jardim”, associado à beleza e à organização de suas praças e espaços públicos. A arquitetura também assumiu papel importante nesse processo de construção da cidade moderna. No centro urbano, destacavam-se belíssimos exemplares arquitetônicos, cujas fachadas apresentavam ornamentos e elementos decorativos, como estuques com motivos florais, volutas e outros símbolos que, para além da estética, expressavam distinção social, prestígio e relações de poder.
Entretanto, esse projeto de modernização e embelezamento urbano não alcançava a cidade de maneira homogênea. Enquanto o centro recebia investimentos e concentrava os espaços associados às elites locais, parcelas da população negra e mestiça eram relegadas às áreas periféricas e aos bairros mais afastados, marcados pela precariedade e pelo descaso do poder público. Essa desigualdade também se expressava na própria configuração e nas histórias desses lugares. A Rua de Palha, por exemplo, guarda em seu nome e em sua memória a presença de uma população negra que se deslocava das zonas rurais para o espaço urbano, estabelecendo moradia em casas cobertas por palha. Outro exemplo é a Rua do Buraco, onde o carregamento de água constituía uma das atividades utilizadas como meio de subsistência pela população local. Dessa forma, a história da modernização de Amargosa também revela as desigualdades que marcaram a ocupação do espaço urbano, evidenciando que os ideais de progresso e embelezamento da cidade foram vivenciados de maneiras distintas por seus diferentes grupos sociais.
Capelinha - antiga igrejinha situada no centro da principal praça da cidade
A efervescência cultural também marcou a história da cidade, expressando a diversidade sociocultural que caracteriza Amargosa, em sua história, apresentou uma diversidade de manifestações culturais e patrimônios históricos, como a feira livre, seu o carnaval centenário e festa de São João. Durante os séculos XIX e XX, a cidade também contou com filarmônicas, fanfarras, batucadas, associações culturais, clubes, jornais locais, teatro e cinema, compondo um cenário de intensa movimentação cultural e contribuindo para a construção da identidade local.
Nesse cenário de diversidade, as práticas culturais e religiosas afro-brasileiras também fizeram parte da história de Amargosa, sendo vivenciadas e reconstruídas por diferentes sujeitos no município. Essas práticas se constituíam por meio do culto aos orixás, inquices e caboclos, em espaços construídos e ressignificados tanto na cidade quanto na zona rural, seja nos terreiros de Candomblé, seja em cultos realizados no âmbito doméstico. Esses momentos de manifestação religiosa não se limitavam à dimensão da fé: constituíam também importantes espaços de sociabilidade, de fortalecimento dos vínculos entre seus praticantes e de afirmação de suas práticas culturais e religiosas.

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Povo de santo em cortejo no centro da cidade - 29 de Setembro de 1980
A partir de meados do século, Amargosa passa por um processo de declínio. Influenciada pela crise na lavoura de café. Tal produto tende a ser substituído pela pecuária. Também devido ao alto índice pluviométrico da região, torna-se inviável sustentar a manutenção dos trilhos de ferro e assim finda o Ramal da Estrada de Ferro de Nazareth. O que gerou graves problemas econômicos e sociais.
Assim a cidade entra em um momento de “inercia”, que só vai mudar com as novas politicas nacionais de credito rural, que financiou a introdução de uma diversidade de culturas como a mandioca, sisal, fumo, laranja, banana e cacau. Tendo a feira livre como um importante centro econômico e que persiste em um perfil comercial da cidade.
Dessa forma, podemos perceber Amargosa em suas diversas nuances. Notar a diversidade que compõe a cidade e como foi sendo construída historicamente. Bem como os papéis dos diversos grupos sociais na construção sócio cultural local.
Atualmente, Amargosa mantém sua importância no Vale do Jiquiriçá, destacando-se pela atividade comercial, pela educação, pela cultura e pela realização de eventos que movimentam a economia local e atraem visitantes de diferentes regiões. Com uma trajetória marcada por transformações ao longo do tempo, o município segue ampliando sua infraestrutura e fortalecendo seu papel no desenvolvimento da região, sem deixar de preservar as tradições e referências que fazem parte de sua história.

DISTRITO SERRANA - BREJÕES
Na comunidade chamada Distrito Serrana, onde gentes semeiam labutas e cotidianos, as memórias de moradores mais remotos fazem recordar de quando a terra era desenhada por sisal e o povoamento ainda era coisa nova. O Distrito Serrana/ Brejões- BA nasceu do silêncio, de pouca gente, e devagarinho.
Na aurora da década de 1940, a terra antes desabitada passou a receber seus primeiros passos de homens e mulheres que seriam os protagonistas de um lugar situado às margens da Rodovia Federal 116.
O advento da BR-116 marcou a característica do Distrito Serrana como uma localidade que faz fronteira com o Distrito Serra do 100, pertencente ao município de Nova Itarana. Ambos locais separados apenas pela BR-116, comungam vivências semelhantes e histórias próximas. A relação que foi construída entre esses dois locais possibilitou que os moradores de cada lugar se comunicassem de forma mais tranquila e harmoniosa.
O mapa ao lado apresenta a imagem da região e a sua divisão a partir da BR - 116:

Mapa do Distrito Serrana, Brejões-BA.

LAGOA DO MORRO

O Distrito Serrana- Brejões/BA, conhecido e chamado ainda hoje como Km 100, por se encontrar a 100 Km de distância da cidade de Jequié, esta que é a maior cidade próxima da localidade estudada, por isso, um ponto de referência na região.
O Distrito Serrana se encontra geograficamente a 276 km da capital baiana localizado às margens da BR - 116, Rodovia Federal que começou a ser construída no final da década de 1930 com intenção de ligar o Nordeste ao Rio de Janeiro.
O Distrito Serrana viu o seu alvorecer na década de 1940 quando era chamado por Lagoa D´água e se configurava enquanto um lugar desenhado pelo sisal. Recebeu a presença da rodovia federal na década de 1947 e experimentou, a partir daí a chegada de um novo tempo com crescimento das ruas, novos estabelecimentos como mercadinhos, padarias, etc.
Ademais, a história do Distrito Serrana é também vinculada com a trajetória do café no Brasil, tendo em vista que a Fazenda Lagoa do Morro, sob os comandos da empresa Agribahia foi um importante expoente dentro da economia cafeeira baiana e local na década de 1950. Essa Fazenda se encontra na estrada que liga Brejões ao Distrito Serrana e ela teve o papel de fomentar a economia da região por muito tempo.
Um importante elemento que é preciso destacar quando se fala no Distrito Serrana é que ele ainda hoje é chamado pelo nome de Km 100, pois, esta denominação foi dada logo quando o asfalto chega na localidade na década de 1960 e assim, a referência por estar a 100 km de distância de Jequié ganha espaço e permeia o cotidiano da população. Dessa forma, apesar da localidade não se chamar mais Km100, as suas marcas históricas ainda passeiam pelo vocabulário dos sujeitos que habitam tal espaço e ainda predomina o nome descritivo.
LAGOA DO MORRO